Células-tronco: novo tratamento para Síndrome do Olho Seco

Células-tronco: novo tratamento para Síndrome do Olho Seco
07 junho 2016

Células-tronco: novo tratamento para Síndrome do Olho Seco

A diminuição da porção aquosa da lágrima pode levar ao ressecamento da córnea. A este quadro é dado o nome de ceratoconjuntivite seca (CCS), também conhecido como “Síndrome do Olho Seco”, que pode acometer animais de qualquer raça ou idade. A novidade é que agora a células-tronco estão sendo estudadas para fazer parte do tratamento dessa doença.

Colírios substitutos da lágrima e os que estimulam a produção lacrimal são os mais usados no tratamento da doença. Porém, um novo estudo realizado pelo Hospital Veterinário da Ulbra, em parceria com a Cellvet, pode dar uma nova alternativa para a terapia. O uso de células-tronco, em forma de colírio ou injeção, foi considerado eficiente em um estudo realizado.

As raças que mais costumam sofrer com esse problema e podem se beneficiar com o novo tratamento são: Cocker Spaniel Americano, Buldogue Inglês, Schnauzer miniatura, Pug, Yorkshire Terrier, Pequinês, West Highland White Terrier, English Springer Spaniel, Samoyeda, Shih-tzu e Boston Terrier.

Pesquisa com células-tronco para Síndrome do Olho Seco

Estima-se que aproximadamente 2% da população canina tenha a Síndrome do Olho Seco. Embora também possam ser acometidos, os gatos apresentam uma menor frequência neste quadro oftalmológico. Uma pesquisa realizada pela Ulbra e a CellVet sugere que o uso de células-tronco mesenquimais possa ajudar no tratamento da doença e fazer com que a administração diária de colírio não precise ser feita.

Seis cães e raças, sexo e idade variados, que tinham apresentando produção abaixo de  10 mm de lágrima por minuto no teste de Schirmer, foram submetidos ao tratamento. Os cães foram divididos em dois grupos de 3 animais cada. Um deles foi tratado com injeção de células-tronco nas glândulas lacrimais e da terceira pálpebra e o outro com células-tronco pela via tópica, como se fosse um colírio.

O teste da lágrima de Schirmer, frequentemente usado na rotina clínica, foi usado para o acompanhamento. Sendo o valor mínimo esperado para um cão de 15 mm/min. Os cães foram acompanhados e, três meses depois, os pesquisadores puderam ter resultados melhores nos cães mais jovens e com menor severidade da ceratoconjuntivite seca. Nestes animais, a lágrima voltou a ser produzida normalmente e eles puderam parar de usar colírios. O mesmo resultado foi obtido sete meses depois nos mais jovens. Porém, em cães com mais de 10 anos de idade o tratamento não teve resultado.

Estudo realizado pela Faculdade de Medicina Veterinária e zootecnia da Universidade de São Paulo

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina Veterinária e zootecnia da Universidade de São Paulo, usando células-tronco de membrana amniótica de cão no tratamento da ceratoconjuntivite seca, também foi realizada.

Os animais da raça Golden Retriever eram do canil da Faculdade de Medicina Veterinária. As duas fêmeas tinham idade média de sete anos e em grau crônico de ceratoconjuntivite seca foram usados na pesquisa.Foram injetadas células-tronco de membrana amniótica em ambas as glândulas lacrimais da terceira pálpebra. A aplicação foi feita duas vezes com intervalo de 30 dias cada.

Em nova avaliação, após sete dias de tratamento, não foram observadas mudanças significativas. Porém, as glândulas lacrimais se apresentavam mais perto da normalidade. Depois de 14 dias elas apresentaram uma melhora no teste de Schirmer e em uma delas a secreção mucopurulenta foi reduzida. Aos 21 dias houve uma redução no teste lacrimal e aos 30 dias tudo se mostrou igual ao início do tratamento. Com o resultado eles concluíram que em casos crônicos, o tratamento realizado não teve o resultado esperado.

Em sua rotina clínica você atende a muitos casos de CCS? O tratamento tem sido eficiente? Conte pra gente nos comentários!

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