Como fazer o diagnóstico de colapso traqueal?

Como fazer o diagnóstico de colapso traqueal?
13 Março 2017

Como fazer o diagnóstico de colapso traqueal?

Colapso traqueal é uma doença crônica, progressiva e de origem multifatorial. Muitos pacientes apresentam esta alteração desde filhotes e há tendência de piora do quadro com o decorrer de sua vida. Pode acometer cães , principalmente de pequeno porte, e raramente gatos.

A traqueia do cachorro é composta por inúmeros anéis cartilaginosos que possuem o formato de um “C” invertido, sendo a região dorsal composta apenas por musculatura. O colapso traqueal é portanto uma doença na qual ocorre maior fragilidade destes anéis traqueais, permitindo que a traqueia achate-se dorsoventralmente, diminuindo o lúmen e consequentemente o volume de ar que adentra para o sistema respiratório. Existem ainda a possibilidade deste colapso acometer também os brônquios principais em uma condição denominada broncomalácia.

Mas como fazer corretamente o diagnóstico do colapso traqueal? A radiografia é suficiente?

Quais são os sintomas do colapso traqueal?

O principal sintoma observado em cães é a tosse, muitas vezes descrita pelos proprietários como um engasgo. Além da tosse pacientes com colapso traqueal muitas vezes possuem outras alterações respiratórias concomitantes, podendo apresentar espirros reverso (principalmente nos casos de bronquite crônica), cianose, síncope, dispneia, dentre outras alterações respiratórias. Fatores ambientais como produtos com cheiro forte, umidade baixa, poeira, pólen e algumas condições clínicas como a obesidade podem agravar a sintomatologia dos pacientes.

Qual raça de cachorro é mais propensa ao colapso traqueal?

Cães de raças pequenas são mais comumente afetadas pela doença, particularmente Yorkshire terriers, Spitz alemão, Poodles e Chihuahuas. O Colapso traqueal pode se manifestar em qualquer idade, embora os sinais clínicos apareçam em pacientes de meia idade a idosos.

Como diagnosticar o colapso traqueal?

O diagnóstico do colapso traqueal sempre começa com a avaliação clínica do nosso paciente, portanto a auscultação e avaliação de todos os parâmetros fisiológicos não pode nunca ser subestimada. Além disso, muitos são os exames complementares disponíveis para o diagnóstico definitivo do colapso traqueal. Dentre eles citamos:

  • Radiografias torácicas e cervico-torácicas – são os exames mais rotineiramente utilizados para o diagnóstico de colapso traqueal, bem como outras pneumopatias. Vale lembrar que é indispensável a realização de mais de uma posição radiográfica e em diferentes fases da respiração.
  • Fluoroscopia (ou radiografia em tempo real) – esse exame baseia-se na utilização de raios-X para obtenção de imagens em tempo real, sendo possível observar diferentes locais em movimento, facilitando o diagnóstico.
  • Traqueoscopia – esse método diagnóstico baseia-se na utilização de equipamento de vídeo para observação da traqueia internamente, sendo possível o diagnóstico do colapso bem como o estadiamento do mesmo, ou seja, é possível classificar a doença de acordo com o grau de colabamento da traqueia.
  • Tomografia computadorizada e ressonância magnética são outros métodos avançados que nos permitem diagnosticar não só o colapso traqueal, mas também várias outras doenças que podem acometer os pacientes.
  • Hemograma e outros exames laboratoriais são sempre indispensáveis para avaliar o paciente como um todo, ou seja, é sempre necessário descartar a presença de outras doenças antes de iniciar o manejo para o colapso traqueal, seja este um manejo clínico medicamentoso ou cirúrgico.
  • Ecocardiograma e eletrocardiograma são importantes para diferenciação das doenças, uma vez que assim como pacientes com colapso traqueal, aqueles que possuem alguma doença cardiovascular costumam apresentar sinais clínicos semelhantes.

Qual é o tratamento do colapso traqueal?

A maioria dos casos de colapso traqueal pode ser manejado com medicamentos que auxiliarão na diminuição do processo inflamatório crônico, como corticoesteróides locais ou sistêmicos, bem como antitussígenos, broncodilatadores, dentre outros, a depender do quadro clínico do paciente. A utilização de antibióticos deve ser muito rigorosa, visto que em poucos casos serão necessário. O manejo alimentar e consequente emagrecimento do paciente é primordial, pois como já discutido o paciente obeso tende a piorar os sinais clínicos. Contudo muitos pacientes não obterão boa resposta medicamentosa após algum tempo, sendo necessário a realização da correção cirúrgica.

Mv. Msc Marcelo Borges dos Santos  Junior

 

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