Como Trump vencerá o bioterrorismo? Treinando médicos veterinários que atuam na saúde pública

Como Trump vencerá o bioterrorismo? Treinando médicos veterinários que atuam na saúde pública
06 setembro 2017

Como Trump vencerá o bioterrorismo? Treinando médicos veterinários que atuam na saúde pública

Em agosto deste ano, o site da Fox News Opinion publicou um artigo da veterinária e professora universitária norte-americana Christa Gallagher, especialista em Saúde Pública e Epidemiologia da Escola de Veterinária da Universidade Ross, nos Estados Unidos. Ela comenta sobre as modificações que o presidente Donald Trump tem promovido no Plano de Segurança Interna do país e a importância do médico veterinário nesse novo contexto. Fique atento a essa forma contemporânea de pensar a maneira de treinar veterinários e a atuação do profissional e acompanhe, a seguir, a tradução do referido artigo.

O veterinário e a luta americana contra o bioterrorismo

A Casa Branca passa a contar com novos agentes públicos para reforçar a luta contra o terrorismo: os veterinários! É interessante notar que geralmente esses profissionais não vêm à mente da maioria da população quando o assunto é luta antiterrorista, já que poucos conhecem a atuação desses profissionais quanto à regulamentação do setor alimentício americano. Os terroristas podem agir de forma a desenvolver grandes epidemias, pragas para o setor agrícola e agrário, assim como doenças que afetam primeiramente os animais e que podem ser transmitidas aos ser humano como, por exemplo, a gripe aviária. A nação deve estar preparada para atuar em situações desse tipo e evitar o sofrimento de sua população, assim como grandes prejuízos econômicos.

O Departamento de Agricultura americano divulgou que o país ainda está vulnerável a esse tipo de ataque. Para impedir ataques desse tipo, o presidente americano, Donald Trump, assinou um projeto de lei que reforça a atuação do Departamento de Segurança Interna nessa área. Esse projeto de lei reconhece que a saúde animal, vegetal e humana estão extremamente ligadas e devem ser estudadas de forma interligada e multidisciplinar. Sendo assim, esse departamento do governo receberá investimento de US$1 bilhão para a construção de laboratório e treinamento de veterinários com o intuito de estudar doenças humanas transmitidas por animais.

Essa medida é de grande responsabilidade com a saúde da população norte-americana e traz para o centro do cenário de segurança pública a atuação de um profissional que muitas vezes era visto como de atuação secundária. Três quartos das novas doenças humanas têm como origem o desenvolvimento em animais silvestres e os veterinários são os profissionais capacitados para identificar essas zoonoses e propor tratamentos que impeçam a efetivação do ciclo de contágio humano.

Em 1999, muitos idosos americanos faleceram de forma inesperada e sem que os médicos pudessem fazer diagnósticos precisos sobre a causa da morte. Nesse mesmo período, em Nova Iorque, muitos pássaros selvagens também estavam morrendo, assim como pássaros do zoológico do Bronx. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano analisou amostras de sangue dos idosos que morreram e concluíram que todos sofreram uma infecção cerebral, chamada de encefalite de St. Louis, a qual é transmitida aos seres humanos por mosquitos que entraram em contato com aves infectadas.

Mas a médica veterinária McNamara, que trabalhava no zoológico do Bronx, decidiu estudar os pássaros que estavam morrendo e percebeu que eles não apresentavam sinais de encefalite. Ela, então, colheu amostras de sangue dos pássaros mortos e realizou alguns testes, os quais comprovaram que a doença se tratava na realidade do Vírus do Nilo Ocidental. McNamara foi a veterinária patologista que identificou a primeira incidência desse tipo de vírus no Ocidente, solucionando o caso das mortes de idosos.

A importância do treinamento de veterinários da saúde pública

Há uma pequena parcela de veterinários que atuam na área de patologia e zoonose tendo como foco animais silvestres, pois a maioria desses profissionais prefere atuar junto a animais de estimação como cachorros, gatos, coelhos. Apenas 7% dos veterinários americanos atuam junto à indústria agropecuária, o que é um fator de perigo e alerta para o consumo alimentício humano. Dessa forma, não basta apenas investir no treinamento de veterinários da saúde pública, com um número maior de universidade com cursos especializados, mas também se deve investir na atração e retenção desses profissionais pelo setor público.

Os médicos veterinários precisam ser vistos como os protetores da produção alimentícia americana e as universidades têm um importante papel nesse processo. Os graduandos devem ser orientados a investir na área acadêmica de pesquisas e de atuação no mercado de trabalho voltadas para a saúde pública, pois só assim os americanos estarão a salvo do bioterrorismo e de novas epidemias.

 

 

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