É lei: cauda, cordas vocais, orelha e unhas não devem ser cortadas

27 outubro 2014

É lei: cauda, cordas vocais, orelha e unhas não devem ser cortadas

Até 2013, era raro ver um boxer, um poodle ou um yorkshire abanando um rabo longo por aí. Ou encontrar um pitbull ou um dobermann sem o semblante de atenção permanente que as orelhas levantadas proporcionavam. A verdade é que a caudectomia (corte da cauda) e a conchectomia (corte da orelha) eram realizadas há séculos, geralmente em raças utilizadas na caça ou para guarda, com o objetivo de reduzir a possibilidade de ferimentos no local.

De funcional, o corte passou a ser feito apenas por razões estéticas e foi assimilado como padrão de várias raças. Além da caudectomia e da conchectomia, outras duas mutilações passaram a ser feitas nas últimas décadas – estas, apenas para a melhor inserção do animal no meio humano: a cordectomia em cães (corte das cordas vocais para que não latam alto) e a onicectomia em felinos (amputação das garras para evitar a destruição de móveis).

Depois de proibir as duas últimas em 2008, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) lançou, em 10 de maio de 2013, a Resolução nº 1027. Em parágrafo único, ela diz o seguinte:

São considerados procedimentos proibidos na prática médico-veterinária: caudectomia, conchectomia e cordectomia em cães e onicectomia em felinos.

Isto quer dizer que, se um veterinário for pego realizando os procedimentos, pode ter o seu registro suspenso e ser proibido de exercer sua profissão. A única exceção é quando o corte for necessário por questões de saúde do animal, como em casos de tumores ou ferimentos em que a amputação é necessária.

Confira abaixo os principais motivos pelos quais o corte foi proibido não só no Brasil, mas na maioria dos países da Europa, e exponha a seu cliente que exigir o procedimento:

  • A cauda é uma importante forma de expressão para o cão, que por ela demonstra seu humor e se comunica com os humanos – incluindo seu tutor – e com outros cães. Estudos apontam que o tamanho da cauda tem bastante influência em seu comportamento e na forma como ele interage com outros cães;
  • A cauda é uma extensão da coluna vertebral, formada por pequenas vértebras e com várias terminações nervosas. É uma parte bastante sensível do animal e é um erro achar que seu corte não causa dor;
  • A caudectomia é uma amputação apenas estética e completamente desnecessária, além de comprometer o equilíbrio do animal;
  • Com a proibição, a cauda curta não faz mais parte do padrão de nenhuma raça para pedigree, exposições e feiras.

Cabe lembrar que os criadores e não veterinários também estão proibidos de realizar a caudectomia, já que o procedimento é considerado maus-tratos aos animais, conforme o artigo 39 da Lei de Crimes Ambientais.

A verdade é que estamos acostumados a ver certas raças com o rabo curto e, de início, a cauda íntegra pode causar certo estranhamento. Porém, dentro de pouco mais de uma década, teremos apenas animais de rabo longo por aí e cães de cauda curta ou orelhas levantadas serão apenas uma lembrança.

Como você lida com essa situação na sua clínica?

Compartilhe sua experiência nos comentários!

Você já conhece o InCardio?

Solicite o catálogo online!

Conhecer

Leave a Reply