Hipertensão arterial em pequenos animais

20 agosto 2014

Hipertensão arterial em pequenos animais

A hipertensão arterial sistêmica é uma doença considerada silenciosa e, muitas vezes, passa despercebida na rotina clínica, pois a maioria dos profissionais não tem costume de fazer essa aferição. Cães e gatos podem ser acometidos e a hipertensão arterial pode vir em conjunto com outra doença. Quando a elevação é constante, o animal pode ter consequências clínicas.

Características e importância da hipertenção arterial

Podemos definir que a hipertensão arterial ocorre quando há aumento persistente da pressão arterial sistêmica. Ela pode ser assim definida quando a pressão arterial sistólica estiver acima de 180 mmHg nos cães e gatos assintomáticos. A medida deve ser feita por no mínimo três vezes, em momentos distintos.

É importante lembrar que diversos fatores podem influenciar a aferição da pressão arterial de pequenos animais como, por exemplo, o horário, o estresse pelo qual o animal passou no transporte até a clínica, o ambiente e o método utilizado, que devem ser considerados pelo clínico.

Quando a hipertensão sistêmica é diagnosticada, ela pode ser classificada em primária (essencial) ou secundária. Sendo que a primeira não é decorrente de uma doença e a segunda pode ser consequência de uma nefropatia crônica, obesidade, trauma do SNC, diabetes mellitus, hipertireoidismo, hiperadrenocorticismo, entre outros. É válido ressaltar que a hipertensão arterial sistêmica primária é mais comum em cães mais velhos. Em animais mais jovens, na maioria das vezes ela está ligada a outra doença existente. Por isso, a investigação precisa ser geral.

Caso não seja diagnosticada a tempo e tratada, a hipertenção pode levar a epistaxe, hipertrofia de ventrículo esquerdo, sopros cardíacos cegueira, hemorragias oculares, descolamento de retina, síncopes, convulsões, glaucoma e deterioração na função renal.

Na rotina clínica, o profissional pode realizar a mensuração pelo método indireto, com o uso do doppler vascular associado a um esfigmomanômetro – método ultra-sônico com Doppler. É uma maneira segura, indolor, precisa e que não necessita de sedação do paciente. Um histórico de alimentação não balanceada, animal exposto ao cigarro, quadros de estresse, alimentação com muito sal, gorduras saturadas também devem ser questionados na hora da anamnese.

Tratamento e importância

Além de evitar lesões clínicas secundárias, quando a hipertensão arterial é diagnosticada recentemente, ela é importante para dar maior segurança na hora de estabelecer um protocolo anestésico ou pré-anestésico, além de ajudar a diagnosticar e a direcionar o protocolo terapêutico em casos de doenças renais, cardiovasculares, oculares e de sistema nervoso central ou da própria hipertensão arterial primária. Com isso, fica mais fácil a garantia de um protocolo terapêutico correto, levando a um aumento da perspectiva de vida do paciente e garantindo a qualidade de vida.

Como protocolo terapêutico tem-se os inibidores da ECA e bloqueadores dos canais de cálcio como os mais usados, além do tratamento específico para a doença que deu origem à hipertensão, no caso de hipertensão secundária. Uso de agentes vasodilatadores, betabloqueadores e diuréticos também podem ser considerados, dependendo do caso e do quadro clínico geral do animal. Além disso, o clínico pode fazer uso de uma terapia nutricional adequada e hiposódica em conjunto com a medicação estabelecida.

Você faz isso na rotina da sua clínica?

Qual a última vez que aferiu a pressão arterial de um paciente? Conte pra gente nos comentários.

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