Insuficiência da válvula mitral

ECG Veterinário
08 julho 2014

Insuficiência da válvula mitral

A clínica médica de pequenos animais é cheia de desafios. Embora as dermatites, cinomoses, parvoviroses e otites estejam entre as ocorrências mais frequentes na vida profissional da maioria dos clínicos, as cardiopatias sempre aparecem em um caso ou outro, dentre elas, a insuficiência da válvula mitral.

A degeneração mixomatosa crônica da válvula mitral representa uma importante cardiopatia que, apesar de ser rara em felinos, é frequente em cães. As raças mais acometidas são Cocker Spaniel, Chihuaua, Poodle Miniatura, Pinscher, Fox Terriers, Boston Terriers e Schnauzers, sendo que os machos apresentam maior índice desse problema do que as fêmeas.

O que é a insuficiência da válvula mitral?

A válvula mitral começa a ter uma deficiência em seu funcionamento devido a uma formação desordenada de placas de origem desconhecida em sua superfície, que impedem o seu completo fechamento. Com isso, ocorre o retorno sanguíneo do ventrículo para o átrio, além da diminuição do volume de sangue que parte do coração, podendo resultar em um quadro de insuficiência cardíaca congestiva.

Assim como várias outras cardiopatias, o animal apresenta, principalmente, sinais como tosse e dificuldades de se exercitar. Na auscultação o clínico veterinário poderá identificar presença de sopro.

Como acontece em qualquer outro problema cardíaco, o coração passa a trabalhar mais para conseguir mandar o sangue necessário para o corpo do animal. Com isso, ocorre a dilatação e hipertrofia do órgão, o que impede que o cão apresente sinais clínicos quando a doença estiver no início. Assim, o processo vai se agravando chegando ao quadro de ICC anteriormente descrita.

Sinais clínicos, diagnóstico e prognóstico

Na maioria das vezes, são os cães de meia-idade ou idosos que apresentam sinais clínicos. Raças de pequeno e médio porte apresentam a doença com mais frequência. Na auscultação pode-se notar taquipneia e taquicardia, além da presença de sopro. Para realizar um diagnóstico eficiente, o ECO e ECG são necessários. O eletrocardiograma pode identificar qualquer arritmia antes mesmo de os sintomas aparecerem, o que possibilita o tratamento precoce do problema antes que se agrave, porém, raras vezes identifica aumento de câmara. Sendo assim, o ecocardiograma é o único modo de, de fato, diagnosticar a doença.

Para a realização do eco, muitas vezes, a sedação se faz necessária. “É recomendada a combinação de maleato de acepromazina e buprenorfina, a qual, além de bem tolerada hemodinamicamente, permite excelente sedação, sem deteriorar a função cardiorrespiratória”, concluíram os pesquisadores no estudo “Doença crônica da válvula mitral em cães: avaliação clínica funcional e mensuração ecocardiográfica da valva mitral”.

O tratamento com medicamentos visa amenizar os sinais clínicos (costuma-se utilizar enalapril e furosemida) e dar uma qualidade de vida melhor ao cão. Uma dieta com baixo teor de sódio deve ser indicada  como um auxílio à redução da pré-carga e ao controle do acúmulo de fluidose. Há rações comerciais como a ração purina CNM-CV; ração Hills h/d; e, ração Royal Canin-Heart que podem ser indicadas.

O prognóstico pode variar de reservado à ruim, visto que o tratamento considerado mais efetivo para esses casos seria a colocação de uma prótese valvular, o que é raro na medicina veterinária. Alguns animais, dependendo de quando a doença foi identificada, conseguem viver até cinco anos depois do diagnóstico. Caso o diagnóstico da doença seja feito precocemente, as chances de sobrevivência por mais tempo aumentam.

A realização do ECG de rotina é essencial. Você oferece esse exame na sua clínica?

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