Quando o amor vira doença...

11 agosto 2014

Quando o amor vira doença…

O assunto anda em alta atualmente. Não que esse problema seja recente, mas com o aumento da conscientização das pessoas em relação aos animais e meio ambiente, o tema tem ganhado destaque em programas de TV e reportagens de jornais e revistas.

Trata-se de do acúmulo de animais – um comportamento conhecido pela ciência e medicina como animal hoarding. O hábito de acumular animais é uma conduta extremamente prejudicial para o acumulador, para os animais, para as pessoas na volta e para o meio ambiente.

Como reconhecer e tratar esse problema

Como se caracteriza o animal hoarding? E qual o limite entre o amor e cuidado com os animais e um comportamento prejudicial?

Normalmente, a pessoa vai acumulando animais aos poucos, sem justificativa aparente – embora, quando questionadas, se intitulem como protetoras. Essas pessoas começam tendo poucos animais, mas em curto espaço de tempo vão aumentando esse número e passam a abrigar até 30, 40 ou mais cães, gatos, coelhos ou outras espécies.

O acumulador não tem limites: recolhe cada vez mais animais das ruas, recebe qualquer animal que lhe ofereçam e, em casos mais graves, até roubam animais que têm dono. O que difere um acumulador de um protetor ou criador é a falta de preocupação com o bem-estar dos animais. Não costuma existir maus tratos por parte do acumulador, mas o foco principal é ter cada vez mais bichos, ao mesmo tempo em que há grande preocupação em não se desfazer de nenhum.

O acumulador, diferentemente de um protetor ou criador, não abriga os animais para doá-los ou comercializá-los, mas sim, por compulsão. Muitos acumuladores que se passam por protetores criam empecilhos e desculpas para que ninguém adote um de seus animais.

Os protetores contam com a ajuda de uma rede de pessoas envolvidas na causa e veterinários, dividindo as tarefas e gastos, incentivando a adoção dos animais e abrigando apenas determinada quantidade de animal. Já um acumulador tende a não se preocupar muito com o bem estar dos animais.

Quais os problemas gerados para o acumulador?

Muitos! Primeiro, o acumulador passa a contar com uma péssima qualidade de vida, pois o número exorbitante de animais dificulta manter a casa em boas condições de higiene, além da falta de espaço.

O acumulador também deixa de ter uma vida social e pessoal saudável, pois não pode sair de casa devido aos cuidados que tem de dispensar aos animais. O isolamento social dessas pessoas é um grande sintoma e mal gerado pela doença.

A saúde do acumulador costuma ser afetada. Com uma população exagerada de animais em espaço impróprio, há maior incidência de doenças que podem afetar o ser humano, como alergias, dermatites, problemas gastrointestinais, entre outras mais sérias. Animais como ratos, baratas e outros podem surgir no ambiente.

A vida financeira de quem tem essa compulsão costuma sofrer prejuízos. São grandes os gastos com comidas e outros cuidados para manter tantos animais. Além disso, muitos acumuladores acabam abrindo mão até mesmo de sua vida profissional para ficar em casa com os bichos. Não é raro essas pessoas contraírem dividas, colocando patrimônios e outros bens em risco.

Em decorrência de tudo isso, muitas destas pessoas apresentam depressão e outros sintomas psiquiátricos. A acumulação costuma ser sinal de algum problema mental mais grave, como transtorno obsessivo compulsivo.

Quais são os problemas para os animais?

Os animais que fazem parte dessas populações podem sofrer de inúmeras doenças devido à aglomeração. Além disso, esses animais não costumam ser todos castrados e as fêmeas podem apresentar desnutrição, devido à procriação constante.

Uma péssima qualidade de vida também assola esses animais: falta de higiene e de espaço, alimentação e cuidados precários, brigas, etc. Não é raro observar sintomas depressivos nesses animais e até casos de óbito devido à falta de cuidados.

O meio-ambiente também sofre com a proliferação de doenças e do excesso de excrementos.

Como ajudar quem tem esse problema?

O acumulador só costuma pedir ajuda quando a situação realmente se grava. Porém, normalmente a pessoa não pede auxílio porque reconhece que tem um problema, mas sim, devido à dívidas, à falta de espaço e à depressão.

Nesse caso, é preciso convencê-la a iniciar um tratamento para identificar e tratar quaisquer transtornos psíquicos que possa ter. O tratamento costuma ser feito por um médico psiquiatra em conjunto com outros profissionais, como psicólogos.

E como resolver a situação dos animais?

A pessoa cujo tratamento está surtindo efeito passa a se conscientizar dos danos que trazem a acumulação de animais, portanto, ajudará na tarefa de resolver a situação dos bichos.

Primeiramente, é recomendado castrar as fêmeas para que não gerem mais filhotes e tratar dos animais enfermos. Em seguida, deve-se procurar ONGs e associações protetoras para ajudar na adoção desses animais. Evite despejar os animais em Centros de Zoonoses. A tarefa de reacomodar os bichinhos é longa e trabalhosa, mas, certamente, vale a pena!

Você conhece algum caso de animal hoarding?

Como lidou com esse problema? Compartilhe sua experiência nos comentários!

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1 Response

  1. Kelly

    Eu sou protetora, e as vezes acumula muitos animais aqui em casa. Nesses tempos eu estava com vinte filhotes de coelhos. Agora sobraram dez e 3 já vão ser adotados essa semana. Vou dizer que o gasto e o trabalho é imenso. As vezes acontece essas situações, de surtos de animais abandonados, e realmente temos que ficar mais tempo com alguns que vêm em situação de maus-tratos. Eu me apego muito aos bichinhos que eu cuido, mas eu sei que o que eu posso fazer de melhor para eles é achar um bom lar. Fico feliz de não sofrer deste problema. Eu tenho cinco fixos aqui em casa, volta e meia quero ficar com mais um, mas passo para frente. afinal, devo prover veterinário, comida, um ambiente limpo etc. Doar para um bor lar é também um gesto de amor 🙂

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